Morre médico cujo CRM foi usado por falso profissional investigado em caso de fraude no Vale do Ribeira

Proprietário do registro médico verdadeiro faleceu durante as investigações do caso que teve repercussão em Cananéia, no Vale do Ribeira; polícia e autoridades ainda apuram detalhes da morte e dos desdobramentos.

Por: Fagner Vieira Fonte: G1 Santos
23/02/2026 às 15h26
Morre médico cujo CRM foi usado por falso profissional investigado em caso de fraude no Vale do Ribeira
Morre médico cujo CRM foi usado por falso profissional investigado em caso de fraude no Vale do Ribeira

O médico Enrico Di Vaio, cujo CRM (Conselho Regional de Medicina) foi usado indevidamente por um homem que se passou por médico em uma unidade de saúde de Cananéia, no Vale do Ribeira, morreu durante o curso das investigações do caso, confirmaram fontes envolvidas no apuração dos fatos.

Segundo as informações recolhidas até o momento, não há detalhes públicos ou confirmação oficial sobre a causa da morte de Di Vaio, cuja identidade foi vinculada como o titular legítimo do registro profissional utilizado na fraude. O falecimento ocorreu na cidade de Santos, no litoral de São Paulo, e foi notificado às autoridades competentes na última sexta-feira (20).

O caso ganhou ampla repercussão desde que um homem, identificado como Wellington Augusto Mazini da Silva, foi preso por usar o CRM de Di Vaio para atender e realizar exames médicos na Unidade Básica de Saúde de Cananéia, na região do Vale do Ribeira. O falso médico chegou a realizar atendimentos e exames por um dia, circunstância que levantou suspeitas e desencadeou investigação policial após pacientes notarem irregularidades no atendimento.

A investigação da Polícia Civil tem como objetivo não apenas esclarecer a conduta de quem se passou por médico, como também apurar a real participação ou conhecimento de terceiros no uso do registro profissional alheio, questão que colocou o nome do CRM verdadeiro sob análise das autoridades.

Ao longo das apurações, testemunhas e pacientes ouvidos pelas autoridades prestaram depoimentos sobre o atendimento que consideraram estranho, com sinais de inexperiência e alegações médicas incoerentes. Isso incluiu interpretações equivocadas de exames, o que acabou motivando a denúncia às autoridades competentes.

A denúncia que levou à prisão do suspeito também revelou que o homem que se apresentou como médico teria recebido uma quantia pela atuação no posto de saúde, segundo relatos informais ligados à investigação.

Autoridades da administração municipal de Cananéia reforçaram em nota que o médico titular do CRM verdadeiro havia sido regularmente contratado pela empresa responsável pela gestão do sistema municipal de saúde, apresentando a documentação exigida para o exercício profissional. Porém, quem compareceu à unidade para prestar os serviços foi outra pessoa, portando documentos falsos tanto perante servidores quanto diante da autoridade policial.

A Prefeitura de Cananéia também destacou que, apesar de o exame realizado ser de baixo risco, a atuação sem habilitação legal representa uma séria violação ética e legal. Pacientes atendidos naquele dia estão sendo reavaliados e reconvocadas para novos exames e acompanhamentos, garantindo que nenhum atendimento seja prejudicado em decorrência da fraude.

À medida que as investigações seguem, a polícia e as instituições responsáveis continuam analisando documentos, depoimentos e possíveis conexões entre os envolvidos, ao passo que a morte do médico titular do CRM verdadeiro passa a integrar o conjunto de fatos observados pelas autoridades.

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