Cotidiano Ressaca
Mar avança sobre casas e comércio em ilhas do litoral de SP durante ressaca; situação é descrita como “desesperadora”
Fenômeno do mar agitado provocou alagamentos em vias, comércios e residências no litoral sul de SP; Defesa Civil e Marinha alertam para ondas de até 3,5 metros até o fim da semana.
30/07/2025 14h18 Atualizada há 10 meses
Por: Fagner Vieira Fonte: G1
Mar avança sobre casas e comércio em ilhas do litoral de SP durante ressaca; situação é descrita como “desesperadora” / Foto: Arquivo Pessoal/Junior Neves

Uma forte ressaca marítima invadiu casas e estabelecimentos comerciais em ilhas do litoral paulista, provocando impactos imediatos em comunidades da Ilha do Cardoso e Ilha Comprida, ambas localizadas no extremo sul do estado de São Paulo e na região do Vale do Ribeira, área que concentra áreas ambientais protegidas e tradicional população caiçara.

No episódio mais intenso da ressaca, o mar invadiu residências e comércios próximos à Praia do Pereirinha, na Ilha do Cardoso, ligada ao município de Cananéia. Moradores relataram que ficaram em alerta devido ao aumento do nível do mar, e algumas famílias precisaram puxar os barcos da beira d’água antes que a maré subisse. Mesmo com esses cuidados, em muitos pontos a água ultrapassou as estruturas e atingiu casas e comércios, causando prejuízos significativos à comunidade tradicional da região.

Na Ilha Comprida, o drama se repetiu ao longo da Avenida Beira‑Mar, principal via costeira da cidade. Na manhã desta quarta-feira (30), o mar invadiu diversos trechos da avenida, alagando residências, estabelecimentos comerciais e interrompendo parcialmente o tráfego na orla urbana, provocando grande preocupação entre os moradores.

A prefeita de Ilha Comprida, Maristela Cardona (Republicanos), divulgou nota nas redes sociais informando que as equipes da Defesa Civil, Obras e Trânsito estão atuando nos principais pontos afetados pela ressaca. Ela reforçou o apelo para que a população evite circular nas áreas impactadas até que as condições se estabilizem, afirmando que a situação é crítica e requer atenção imediata das autoridades e moradores.

Alerta de ressaca no litoral de São Paulo

Segundo a Defesa Civil do Estado, um alerta de ressaca marítima já havia sido emitido na segunda-feira (28) para o litoral sul de São Paulo. A Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos de São Paulo, informou que as condições de mar agitado devem permanecer entre Iguape (SP) e Macaé (RJ) até às 21h de quinta-feira (31), com ondas previstas de até 3,5 metros de altura, representando risco real à estrutura da orla costeira.

A ressaca marítima, conforme definição científica, é caracterizada pelo movimento anormal das ondas sobre si mesmas na faixa de rebentação, muitas vezes desencadeada por frentes frias, ventos fortes ou instabilidades meteorológicas próximas ao litoral. Esse fenômeno pode acumular água e sobrecarregar a orla, causando invasões e erosão costeira acelerada.

Consequências na Baixada Santista

Na Baixada Santista, o impacto da ressaca também foi comparável. Serviços como travessias de balsas foram paralisados, especialmente no contexto da travessia marítima entre municípios costeiros. No Porto de Santos, o maior do país, operações sofreram suspensão temporária para garantir a segurança diante da maré alta e das condições adversas do mar. Em diversos trechos das avenidas litorâneas de Santos, a prefeitura precisou interditar áreas alagadas, reforçando como a ressaca tem alterado a rotina urbana e causado transtornos ao setor portuário e às atividades turísticas na região costeira.

Impacto ambiental e social no Vale do Ribeira

O fenômeno evidencia a vulnerabilidade das comunidades localizadas no Vale do Ribeira, especialmente as ilhas de Cananéia e Ilha Comprida, que enfrentam com mais intensidade os efeitos de invasões do mar durante ressacas severas. A combinação entre relevo costeiro, erosão natural e condições meteorológicas extremas coloca em risco construções, comércios e a vida cotidiana das famílias que habitam essas áreas de preservação ambiental.

Os especialistas alertam que o agravamento das ressacas pode ser observado com mais frequência, especialmente em regiões costeiras pouco protegidas por defesas naturais. O recente episódio reforça a necessidade de monitoramento constante e medidas de prevenção para minimizar os efeitos do mar bravio, sobretudo nessas comunidades históricas do litoral sul paulista.