Cotidiano Política
Vereador tem mandato cassado por ser sócio oculto de retroescavadeira contratada indiretamente pela prefeitura
Rodrigo Mendes (PSB) foi condenado por quebra de decoro parlamentar após omitir participação em empresa que prestava serviços a terceirizadas do município; decisão foi aprovada por 6 votos a 3
23/06/2025 14h34 Atualizada há 12 meses
Por: Fagner Vieira Fonte: G1 Santos
Vereador tem mandato cassado por ser sócio oculto de retroescavadeira contratada indiretamente pela prefeitura / Foto: Fagner Vieira

O vereador Rodrigo Mendes (PSB), de Pariquera-Açu (SP), teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar após ser comprovada sua participação como sócio oculto em uma retroescavadeira que prestava serviços de forma indireta para a Prefeitura de Pariquera-Açu. A denúncia, apresentada à Câmara Municipal, acusava o parlamentar de omitir a informação para obter benefício próprio. A decisão, tomada em sessão extraordinária na última terça-feira (17), foi aprovada por 6 votos contra 3, mas ainda cabe recurso. 

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Sociedade oculta em equipamento usado em obras públicas 

A investigação, conduzida por uma Comissão de Investigação Parlamentar (CIP), apontou que Rodrigo Mendes possuía 50% de participação informal em uma retroescavadeira utilizada por empresas terceirizadas contratadas pela administração municipal de Pariquera-Açu. O vereador admitiu ter investido R$ 205 mil no equipamento, mas afirmou que não era responsável pela administração dos contratos firmados pelo sócio. 

Durante a sessão que resultou em sua cassação, Rodrigo declarou que estava sendo "crucificado por erros de terceiros" e que a denúncia tinha motivação política. Ele negou qualquer irregularidade, alegando que não tinha conhecimento de que a máquina estava sendo usada em obras públicas e que, ao descobrir, rompeu a sociedade e entrou com ação judicial para reaver o valor investido. 

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Defesa do vereador: contratos não foram fiscalizados pela prefeitura 

Em sua defesa, o parlamentar argumentou que os contratos foram firmados pelo sócio como pessoa física, sem emissão de nota fiscal, e que sua participação era apenas na empresa (pessoa jurídica), não nas negociações individuais. Além disso, ele criticou a falta de fiscalização por parte da Prefeitura de Pariquera-Açu, afirmando que as irregularidades deveriam ter sido identificadas durante os processos licitatórios. 

"Se todos os vereadores absorveram tudo que eu falei, e foi de modo racional e justo, certamente eu não vou ser cassado. Agora, se for numa questão política, pode ter certeza que isso vai estourar, porque eu não agrado mesmo, muita gente. Isso é fato", declarou Rodrigo durante a sessão. 

Vereador Rodrigo Mendes (PSB) teve o mandado cassado por quebra de decoro em Pariquera-Açu — Foto: Divulgação/Câmara dos vereadores e reprodução

 

O que caracteriza a quebra de decoro parlamentar? 

decoro parlamentar é um conjunto de normas éticas que devem ser seguidas pelos vereadores no exercício do mandato, garantindo conduta digna, honesta e em conformidade com a lei. Segundo o regimento interno da Câmara Municipal de Pariquera-Açu, configura quebra de decoro parlamentar quando o vereador: 

  • Firma ou mantém contrato com o município, suas autarquias, empresas públicas ou concessionárias de serviços públicos, exceto em casos permitidos; 

  • Aceita cargo remunerado em entidades vinculadas ao poder público municipal; 

  • É proprietário ou controlador de empresa que se beneficie de contratos com a prefeitura; 

  • Patrocina causas em que tenha interesse pessoal ou empresarial; 

  • Exerce mais de um cargo ou mandato eletivo simultaneamente, salvo exceções constitucionais. 

A cassação de Rodrigo Mendes foi baseada na ocultação de sua participação societária, o que, segundo os vereadores, configurou abuso de prerrogativas e obtenção de vantagem indevida. 

Próximos passos: recurso e possíveis desdobramentos 

Apesar da decisão, o ex-vereador ainda pode recorrer para tentar reverter a cassação. Caso o recurso não seja aceito, Pariquera-Açu poderá convocar uma eleição suplementar ou preencher a vaga com o suplente mais votado da última eleição.